Nossa história

Nossa amizade começou de uma forma inusitada. Nunca fomos grandes amigas, até que um dia descobrimos que tínhamos algo em comum: nossas mães estavam em tratamento de quimio e eram pacientes paliativas. Ambas tinham o tumor principal na mama e estavam com metástase. A empatia uma pela outra foi inevitável e logo começamos a trocar informações sobre tratamentos alternativos e cuidados às nossas pacientes.
O que a gente não sabia era que em breve iríamos compartilhar a mesma dor. Alguns meses depois nossas mães partiram. Mesmo diante da dor inexplicável, buscamos nos oferecer carinho, conforto e apoio. Sabemos que o processo de cura da dor é contínuo e descobrimos que estender nossos corações aos outros é algo que nos faz bem.
Somos filhas da geração pink ribbon. A geração que tem que lidar com o que ninguém ensina na escola. A geração que foi surpreendida com os mais diversos tipos de câncer nos entes mais queridos. Resolvemos criar o blog para ajudar filhos e filhas de pacientes com câncer, com dicas de cuidados, tratamentos alternativos, matérias e artigos sobre câncer. Pouco a pouco vamos contar mais do que vivemos para que outros possam desfrutar melhor seu tempo com os pais que têm algum tipo de câncer.

Beijos com carinho, Gaby e Fran.

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Coisas que você deveria saber sobre o câncer de ovário

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O câncer de ovário tem sido apelidado de ‘‘ o assassino silencioso” . Parecido com muitos outros tipos de câncer, não demonstra sintomas por um bom tempo. Quando demonstra, os sintomas não são específicos, podendo apontar para  diversas outras doenças,  tanto sérias como benignas. A triste realidade é que quando o câncer de ovário é finalmente diagnosticado, muitas vezes já se espalhou , o que torna as opções de tratamento limitadas.

Há alguns sinais precoces que você pode ficar alerta. Mas você precisa combinar suas observações com outros fatores para não tirar conclusões precipitadas.

Manter um equilíbrio saudável entre a negação e a hipocondria

Em primeiro lugar, não entre em pânico. Como mencionado antes, os seus sintomas podem significar muitas coisas diferentes. As chances de que você realmente tem câncer são muito pequenas. A Aliança Nacional de Câncer de Ovário aponta que para cada 100 mulheres cujos sintomas coincidem com os de câncer de ovário, só uma poderia realmente ter câncer de ovário em estágio inicial.

Dito isto, se você sentir que algo está estranho, você não deve simplesmente ignorar. As pessoas estão com medo de câncer e ainda o percebem como uma doença incurável, de modo que muitas vezes querem esconder o fato de que algo está errado com seus corpos. Mas isso, claro, só piora as coisas, porque você está perdendo um tempo precioso. MedicineNet afirma que apenas 20% das mulheres com câncer de ovário são diagnosticadas precocemente, quando a doença é mais curável. Então, se você sentir que certos sintomas persistem e são incomuns para você, vá e investigue. Melhor prevenir do que remediar.

O tipo mais comum de câncer de ovário inclui tumores epiteliais, os quais se formam na camada fina do tecido que cobre o lado de fora dos ovários. Esses tumores ocorrem em 90% dos casos. Os tipos mais raros são os tumores  de estroma, os quais se desenvolvem dentro do tecido de suporte dos ovários (estroma), e tumores de células germinativas, os quais começam nas células produtoras de óvulos.

OS OITO SINAIS MAIS IMPORTANTES DE CÂNCER DE OVÁRIO

Inchaço abdominal ou inchaço: o tamanho do seu abdômen aumenta, você se sente inchado e cheio de gás. Você pode notar que algumas roupas estão mais apertadas em torno de sua cintura e quadris.

Prisão de ventre e outras alterações nos seus movimentos intestinais

Dor pélvica: você sente desconforto ou dor na área pélvica, e as vezes também no abdômen. Se a sua dor persistir, você não deveria simplesmente ignorar ou mascarar com analgésicos. A dor geralmente quer entregar uma mensagem importante.

Dor na coluna lombar: especialmente se irradia pra área pélvica.

Urina frequente ou urgente:  você sente uma necessidade urgente de fazer xixi e você mal consegue chegar no banheiro a tempo, e/ou você precisa urinar em intervalos curtos. Muitas mulheres experienciam isso – que frequentemente por ser um sinal de fraqueza dos músculos da pelve (os quais podem ser fortalecidos por exercícios de Kegel), ou você pode ter uma infecção do trato urinário. Mas fique de olho nisso, pois pode ser também sinal de algo mais sério acontecendo.

Perda do apetite ou se sentir cheio rapidamente após comer: também observe qualquer inexplicável perda de peso. Mulheres ficam normalmente felizes quando perdem uns quilinhos. Mas nem sempre isso é um bom sinal.

Dor durante atividade sexual.

Fadiga: se sentir excessivamente cansado e com baixa energia pode sinalizar uma condição subjacente.

Não significa que você precisa ter todos os sintomas acima. Às vezes somente um pode ser o suficiente para sinalizar que há algo errado acontecendo. Se os sintomas persistirem por duas semanas ou mais, talvez seja a hora de visitar seu medico para fazer checar sua saúde.

FATORES DE RISCO

A exata causa do câncer de ovário não é conhecida, mas há alguns fatores de risco que podem aumentar suas chances, então você deve considerá-los.

Idade:  mulheres com mais de 50 anos tem maior risco de câncer de ovário. Cerca de 50% dos casos são diagnosticados em mulheres com mais de 60 anos. Isso com certeza não significa que a doença não ocorra em mulheres mais jovens também. Por exemplo, tumores de células germinativas são mais comuns em mulheres mais novas, mas são mais raros.

Histórico familiar: se você tem histórico familiar de câncer de ovário, mama ou cólon sua chance de ter câncer de ovário aumenta. De acordo com a Mayo Clinic, os gentes que aumentam o risco de câncer de ovário são chamados gene 1 de câncer de mama (BRCA1) e gene 2 de câncer de mama (BRCA2). Estes eram inicialmente conectados com o câncer de mama,  por isso o nome, mas foi descoberto que também são responsáveis pelo câncer de ovário (http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/ovarian-cancer/basics/risk-factors/con-20028096).

Idade fértil e menstruação: mulheres que nunca deram a luz tem risco maior de desenvolver câncer de ovário, e também mulheres que começaram a menstruar cedo (antes dos 12 anos), e/ou chegaram na menopausa tarde (depois dos 50 anos). O numero de menstruações que voce tem parece estar relacionada com as chances de câncer de ovário. Por exemplo, mulheres que tiveram mais filhos tem o risco menor de desenvolver a doença.

Algumas medicações: tomar terapia de hormônios depois da menopausa ou utilizar de tratamentos para fertilidade (por muito tempo e altas doses) pode aumentar suas chances. Por outro lado alguns estudos demonstram que contraceptivos orais (pílula) reduzem o risco**.

Outros fatores de risco: incluem fumar, obesidade, uso de dispositivo intrauterino***  e síndrome do ovário policístico.

O problema é que não existe um método confiável para o rastreio do câncer de ovário. É por isso que é tão importante que você não hesite em consultar o seu médico se você tem preocupações. E o médico não deve descartar as suas preocupações também. Exames pélvicos, ecografias e exames de sangue para marcadores relacionados ao câncer podem ser usados para detectar a doença.

Os cientistas continuam a trabalhar no desenvolvimento de um método de detecção melhor para o câncer de ovário em estágio inicial. Até lá, tire tempo para conhecer o seu corpo, cuidar dele, ouvi-lo e tentar sentir quando alguma coisa está errada. Isso provavelmente será uma das suas melhores habilidades no combate a qualquer doença em estágio inicial.

Traduzido de http://www.healthyandnaturalworld.com/early-warning-signs-of-ovarian-cancer/

** Sobre isso há controvérsias, já que é cientificamente constatado que pílulas anticoncepcionais aumentam muito o risco de câncer de mama, e levando por essa lógica, o mesmo se aplicaria ao câncer de ovário já que o gene responsável pelo câncer de mama também é responsável pelo de ovário.

*** Estudos mostram que o DIU de cobre previne câncer de colo de útero e não demonstram relação com o câncer de ovário. Leituras complementares: http://www.saudedireta.com.br/docsupload/1340374470Portuguese-Chapter9.pdf [Desfazendo o mito, pag 133] e http://hypescience.com/anticoncepcional-diu/ 

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Autoestima

Oi, eu sou a Fran e vou começar o post de hoje. Não é segredo que nós mulheres temos uma tendência a sermos vaidosas, algumas mais e outras menos, mas todas de alguma forma somos. Cuidamos das unhas, da pele, do corpo, mas somos unânimes quando se trata do cabelo. Talvez essa seja uma das coisas mais impactantes para uma mulher quando se é dada a notícia da quimioterapia e gostaria de contar como foi a experiência da minha mãe.

Em 2012, na primeira quimioterapia já esperávamos que o cabelo fosse cair, então já nos preparamos, pois era a quimio vermelha.  Ela não queria usar lenço de jeito nenhum, então meus tios a levaram para comprar uma peruca de fios naturais em outra cidade. Corte e cor parecidos com o estilo dela. Minha mãe era super vaidosa e conhecida por sempre andar  “chique”. Tinha os cabelos vermelhos na altura dos ombros, usava sempre vários acessórios, maquiagem e no guarda-roupa dela sempre tinha calças de linho, vestidos e saias longas.

Passou a primeira quimioterapia e o cabelo começou a crescer. A autoestima da minha mãe ainda era muito baixa e ela não aguentava mais usar a peruca, pois de vez em quando tinha dores de cabeça por conta do elástico e também era muito quente em dias de sol. Até a maquiagem ela deixou um pouco de lado durante esse processo, não tinha vontade de se arrumar .Conforme o cabelinho foi crescendo, ela teve vontade de tonalizar ( coloração sem amônia )e eu apoiei.

Um ano e meio depois, veio a notícia que o câncer tinha voltado e ela teria que fazer quimioterapia novamente. A primeira coisa que ela perguntou foi: O meu cabelo vai cair de novo? O médico disse que não cairia tanto, pois era uma medicação diferente da quimio vermelha. Não foi bem isso que aconteceu. As sessões eram semanais e foi caindo aos pouquinhos.

Um certo dia, era um sábado a tarde, ela foi tomar banho para ir à missa. Eu estava no meu quarto, quando de repente, ela veio até mim, nua e chorando. O cabelo dela havia caído no banho enquanto ela passava o shampoo, mas estava todo cheio de nós e ficou ‘’ pendurado” na cabeça. Ela estava desesperada, pois achava que não ia cair por completo. Aquele dia meu coração se partiu em pedaços, tive que me segurar pra não desabar na frente dela, então engoli as lágrimas.

Com calma e paciência fui com ela pra debaixo do chuveiro e tentei de todas as formas tirar os nós pra tentar salvar o máximo de cabelo possível. O que não aconteceu, pois a maior parte já havia caído. A única forma era cortar os nós. Ela pediu que cortasse depois de ver que eu não estava conseguindo, disse iria raspar de novo e dessa vez usar lenços.

Depois desse episódio, fui atrás de tutoriais na internet de como amarrar os lenços, mostrei pra ela vários jeitos, vários looks, várias pacientes usando lenços, bem maquiadas e arrumadas.  Ela gostou e desde então, só usava os lenços. As pessoas que a conheciam sempre a elogiavam, dizendo que ela estava muito estilosa e chique, e como ela ficava bonita quando usava os lenços.

Eu sou a Gaby e vou continuar contando como foi com a minha mãe. Antes de começar a quimio começamos a procurar perucas, e até mesmo consideramos a opção de fazer uma sob medida, eu tinha decidido que iria cortar o meu cabelo pra fazer a peruca dela, mas os preços logo nos desanimaram. Aí eu lembro que fui ao supermercado e logo que entrei vi uma mulher com dois filhos pequenos, eu juro que ela parecia um anjo de tão linda que era! Ela usava um lenço cinza e rosa, tinha os olhos azuis, quando a vi sorri para ela. Quando cheguei em casa contei pra mãe dessa mulher e a convenci que ela também ficaria linda de lenço. No começo ela tinha receio, de chamar a atenção, uma certa vergonha da própria condição de saúde, mas logo isso tudo mudou.

Ensaiamos algumas vezes como amarrar o lenço, assistimos alguns vídeos no youtube também. O cabelo dela era comprido e antes de começar a quimio cortou chanel e depois da primeira sessão o deixou curtinho, mas logo caiu tudo. No dia que caiu o cabelo dela, ela me chamou pra amarrar o lenço, naquele instante eu também engoli o choro e ajeitei com todo cuidado. Logo em seguida olhei pra ela e disse “Você está linda!”.

É extremamente importante dar esse apoio moral, elogiar e buscar opções que deixem a sua paciente confortável.

Assim como a mãe da Fran, a minha também era supervaidosa! Não teve um dia na vida que eu a tenha visto sem maquiagem, inclusive durante o tratamento de quimio.

Outra coisa que aconteceu com nossas mães, foi que durante a quimio as unhas das mãos e dos pés ficaram muito fracas – algumas ficaram ocas e outras caíram. É importante lembrar que não se deve tirar cutículas após iniciar o tratamento de quimio e evitar qualquer tipo de corte, pois aumenta os riscos de infecção e até hemorragia. E essa é uma dica pra quem não tem câncer: não tire cutículas! Elas são uma defesa do seu organismo e devem ser bem cuidadas apenas.

Dicas pra cuidar melhor de sua paciente:

  • Busque alternativas de lenços e formas de amarrá-los. (Confira nossos links abaixo)
  • Se usar lenços, dê preferência para lenços de algodão.
  • Se usar perucas, procure alguma que a faça sentir bonita e o mais natural possível.
  • Faça as unhas de sua mãe. É simples e é um momento único pra guardar no coração.
  • Faça um mini spa em casa, compre óleos e cremes para massagens (cuidado com os perfumes, durante a quimio podem causar enjoos!). Trate sua mãe como ela merece ser tratada: sua única rainha no mundo.

Links com tutoriais de lenços e perucas

https://www.youtube.com/watch?v=xczfby6Af7k

https://www.youtube.com/watch?v=Evm9RbotkAw&list=PLUMDp5Gjou2UgYYagu81ZCQshAuNtChny

https://www.youtube.com/watch?v=muTHtxRbkEE&list=PLUMDp5Gjou2UgYYagu81ZCQshAuNtChny&index=3

https://www.youtube.com/watch?v=TiAWXAILlqs&index=4&list=PLUMDp5Gjou2UgYYagu81ZCQshAuNtChny

Outras dicas legais para ajudar outros pacientes com câncer:

  • Procure Bancos de Lenços para doar os lenços que ela não quiser mais.
  • Se resolver cortar o cabelo, doe para algum Banco de Perucas.

Aqui tem alguns links de grupos que recebem doações:

https://www.facebook.com/bancodasolidariedade

https://www.facebook.com/cabelegria

https://www.facebook.com/GrupoAcreditar

http://www.cepon.org.br/

Esses links são bem bacanas sobre cuidados na quimioterapia e dicas de beleza:

http://quimioterapiaebeleza.com.br/

http://www.bancodelencos.com.br/

Se alguém viveu isso com o pai e quiser compartilhar como foi a experiência é só mandar um e-mail para nós que iremos publicar aqui também!

Com carinho,

Fran e Gaby.

PS: De coração desejo que aquela mulher que vi no supermercado esteja curada e vendo seus filhos crescerem com saúde e amor. – Gaby.

Mães

Nossas rainhas!

A aceitação

Tudo começou em março de 2012, minha mãe chegou em casa com vários exames em mãos. Estávamos na sala, ela sentou no sofá e começou a falar que foi ao médico e que ele lhe deu a notícia do câncer de mama. Eu senti uma leve tontura naquele momento, mas não reagi. Ela continuou falando e falando.  Levantei e disse “Vou jantar com as meninas hoje, tenho que me arrumar”. Sem mais, nem menos, levantei e fui ao meu quarto me arrumar.

Jantei com minha amigas, era uma noite de sushi. Não contei nada pra ninguém. Quando voltei para casa minha mãe estava no sofá bordando e assistindo filme, eu sentei numa cadeira e disse “Me conta de novo, o que foi que o médico disse?”  E ela repetiu tudo. No mesmo tom, sem ênfases, sem emoções, sem rodeios – como se fosse algo muito comum. Naquele momento nem ela tinha absorvido aquele monte de informação, mas quando ela terminou de contar eu chorei. Não foi fácil entender que aquilo estava acontecendo com ela. Era tão surreal que a gente não entendia o quão grave era essa notícia.

Alguns dias depois eu fui pra Buenos Aires, vi uma camiseta do pink ribbon e pensei “não vou levar, vai que o médico se enganou e não é nada disso, vamos aguardar os novos exames e uma nova consulta com outro médico”. Alguns dias depois veio a (re)confirmação, ela estava mesmo com câncer de mama esquerda.

Quando estavam agendando a cirurgia para realizarem a masectomia, ela comentou que estava com um derrame no pulmão, consequente de uma pneumomia que tivera meses antes. O médico achou estranho um derrame durar meses. Pediu mais exames e então veio a segunda notícia: Não era um derrame que ela tinha no pulmão, era metástase. Em outras palavras, o câncer já tinha espalhado.  Como se não bastasse, a metástase também estava nos ossos. Naquele instante meu mundo caiu. Não conseguia aceitar que minha mãe estava com “tudo isso”.

A única coisa que eu pensava era “Por que minha mãe?”. Ela sempre foi uma boa pessoa, que ajudava ao próximo, não falava mal de ninguém, não brigava com as pessoas, cuidava da saúde, acordava cedo para caminhar, tinha hábitos saudáveis e acima de tudo, era a minha mãe! Eram centenas de pensamentos que me atormentavam, pois eu não conseguia imaginar a minha vida sem a minha mãe.

Por muito tempo eu criei um tipo de bloqueio, ignorava o assunto, não dava continuidade nas conversas sobre o tratamento. Foi um mecanismo de defesa que criei inconscientemente. Quando começaram as aplicações de quimioterapia (era a quimio vermelha, que faz perder o cabelo) tudo piorou, a cada aplicação eu tinha febre e dor de garganta, não conseguia sair da cama pra cuidar dela nos primeiros dias. Foi assim durante os seis meses de tratamento, o que eu me arrependo é de não ter procurado um psicólogo naquela época. Ela precisava de mim e eu estava me omitindo sem perceber.

Aceitar a realidade é fundamental para oferecer aos seus pais mais cuidados, carinho e atenção. A fase de tratamento de quimioterapia balança muito com os sentimentos, a percepção de vida, a espiritualidade (independente da religião), o ego, a autoestima, a vida social e financeira – Parece que nada mais se encaixa e é nesse momento que foi preciso ter a tal FORÇA que todo mundo sempre fala. A força vem no momento que você aceita o estado de saúde da sua mãe ou do seu pai. Não adianta questionar a vida perante os fatos que ela apresenta. A chave é equilibrar essa força com serenidade, é um exercício mental que deve ser praticado diáriamente.

É preciso ter consciência que a vida é um ciclo e que o tempo não volta. Essa é uma consciência que todos deveriam ter em relação aos seus pais, mesmo que a saúde deles esteja perfeita.

Deixo cinco dicas para aproveitar melhor esse tempo:

1 – Deixe que a presença de seus pais seja a maior benção de cada dia de sua vida.

2 – Cozinhe para eles. (Com o tempo vou postar algumas receitas especiais)

3 – Tenha momentos com eles. Saia para tomar um café ou sorvete, assistam filmes juntos, conversem!

4 – Seja positivo. Energia positiva é fundamental.

5 – Seja gentil: agradeça, elogie, faça um carinho, sorria, dê beijos.

A importância de aceitar é que você vai desfrutar melhor o seu tempo com o seu paciente, fazer mais coisas por ele e fazer com amor.

Se alguém quiser que eu conte sobre um momento específico e como lidar com isso, é só pedir nos comentários.

Com amor, Gaby.

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Essas palavras me ajudaram muito a aceitar e a enteder a vida como um ciclo. – Gaby.

O Câncer e a Terapia de Gerson

Quando minha mãe descobriu o câncer, em 2012, foi um choque. Carcinoma ductal invasivo. Que palavras chocantes! Claro, ninguém quer acreditar que algo tão horrível esteja acontecendo consigo. Quando acompanhado da palavra metástase então… o sentimento é de ter recebido uma sentença de morte, é realmente devastador.

A verdade é que a medicina convencional não está conseguindo lidar com as inúmeras variações de carcinomas que estão surgindo e na velocidade com que estão surgindo! Muito já se sabe a respeito do câncer, como ele surge e por quê, predisposição genética, tratamentos paliativos e prevenção e todo dia surgem várias pesquisas científicas a respeito. Bom, nada disso parece ser suficiente, visto que vivemos nesse mundo maluco, cheio de preocupações, jornadas longas de trabalho, estresse, sedentarismo, alimentação à base de industrializados, transgênicos e agrotóxicos.

No primeiro ano de quimioterapia foi tudo como o esperado, enjoos, perda do cabelo, fraqueza, indisposição e todos aqueles efeitos colaterais que estamos acostumados a ouvir de quem passa por isso. Cabelo cresceu de novo e tudo estava controlado. Logo veio o tratamento complementar com outros medicamentos:um pro câncer e outros pros efeitos colaterais. E assim passou o segundo ano e a qualidade de vida não era mais a mesma.

Perda de peso, dores,fraqueza, indisposição, aftas, CA (exame de sangue que serve para controle de recorrência e metástase) lá em cima e não sabíamos o que fazer para melhorar o quadro. Foi então que ouvimos falar da terapia de Gerson.

Dr. Max Gerson, nos anos 20, tratava e curava doenças como tuberculose, doenças crônicas variadas, doenças do coração e câncer através da alimentação. O tratamento consistia em estimular as defesas naturais do organismo através da nutrição e desintoxicação. O corpo era tratado em sua totalidade, onde todos os sistemas interagem entre si e são igualmente importantes. Para entender mais sobre o assunto, recomendo assistir o documentário abaixo (disponível nas versões dublada e legendada):

Legendado:

Dublado:

Quando eu e minha família descobrimos sobre o método do Dr. Gerson ficamos muito entusiasmados e pesquisamos muito. Até nos cadastramos no site oficial ( http://www.gerson.org ) para receber notícias e novidades. Encontrei vários blogs falando sobre ele também.

Confesso que me emocionei muito quando vi esse documentário e fiquei me perguntando: COMO ninguém pensou nisso antes? É relativamente simples. A terapia Gerson infelizmente não é acessível à todos, existem apenas duas clínicas Gerson , uma no México (praticamente fronteira com o EUA) e na Hungria. O instituto Gerson fica em San Diego na Califórnia, mas lá eles capacitam profissionais da saúde para tratar pacientes com a terapia.

Não sei se existe e não conheço nenhuma clínica habilitada no Brasil então não posso informar, mas existem muitos nutrólogos e especialistas em nutrigenética e medicina ortomolecular que podem ajudar as pessoas na prevenção de doenças e melhorar a qualidade de vida dos que já estão enfermos. Acho muito importante absorver todo esse conhecimento que o Dr. Gerson deixou, pois a informação está aí para quem quiser ler e pesquisar mais a fundo.

Infelizmente descobrimos tarde sobre a terapia de Gerson e não tínhamos condições financeiras de arcar com os custos do tratamento (mais a viagem internacional, visto, estadia, etc), além de que é preciso enviar todos os exames, laudos e preencher vários formulários para ser aceito, visto que a demanda de paciente é enorme. Ia demorar. Não podíamos esperar e o que conseguimos fazer a respeito foi introduzir o conhecimento que adquirimos da terapia no dia-a-dia do tratamento da minha mãe para tentar fazer com que ela se sentisse melhor. Como por exemplo, trocamos todos os vegetais que comprávamos no mercado por orgânicos. Com as frutas e vegetais fazíamos sucos naturais todos os dias. Notamos que a aparência começou a mudar, minha mãe sentia-se mais disposta e otimista. Praticamente cortamos a gordura da dieta, e quando ela precisava comer carne (por orientação médica), nós utilizávamos o óleo de coco, pois quando é aquecido não perde suas propriedades e faz um bem danado! O coco in natura fez muita diferença, é um dos melhores alimentos que podemos consumir. É muito importante também que as pessoas de casa adotem a mesma “dieta” , pois é uma forma de incentivo e empatia pela pessoa que você quer bem!

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Em alguns blogs que falam somente sobre a terapia de Gerson encontra-se a lista de alimentos permitidos e não-permitidos durante o tratamento e explica o por quê. Esses são só alguns exemplos, mas existe muita coisa que podemos acrescentar e substituir no nosso dia-a-dia. Somos diariamente bombardeados com LIXO pela indústria alimentícia, temos que ter discernimento e pensar a longo prazo quando se trata de alimentação. A maior parte do que se vende no mercado não pode ser chamado de alimento. Boa era a época quando todos tinham uma hortinha em casa!

Deixo aqui sugestões de leitura a quem interessar:

Em inglês:
Max Gerson, “A Cancer Therapy – Results of Fifty Cases”, Gerson Institute, 1958

Charlotte Gerson; Morton Walker, “The Gerson Therapy”, Thorsons, 2001

Howard Strauss, “Dr. Max Gerson – Healing the Hopeless”, Quarry Health Books, 2002

Charlotte Gerson; Beata Bishop, “Healing The Gerson Way”, Totality Books, 2007

Estes estão em inglês, mas há vários sites e blogs brasileiros falando sobre o assunto. Depois que introduzimos e mudamos certos hábitos em casa por causa do tratamento de minha mãe nunca mais voltei aos velhos e isso com certeza mudou minha saúde e minha qualidade de vida e posso afirmar com toda a certeza que ajudou e MUITO a minha mãe durante o tratamento oncológico também. Vale a pena dar uma conferida no assunto.

Com carinho,

Fran